
- Céu, dá-me uma mine!, gritou o Amílcar enquanto se sentava, a resfolegar, num banco alto do balcão, permitindo assim, uma visão completa daquele maravilhoso rabo peludo para quem entrava na tasca.Os jeans manchados de tinta branca (porque é que os trolhas só se mancham com tinta branca?), e as mãos empoeiradas faziam pendant com as nódoas de tinto do almoço.
- Céu, dá-me o jornal!
- Toma lá, Micas., e entregou-lhe o JN.
- Quésta merda? Não tens A Bola?
- Olha, ó Micas, eu comprei. Eu compro sempre como tu sabes e só Deus sabe o que me custa. Mas roubam-na sempre.
- Bem..., anuiu o Amílcar contrariado.E começou a passar os olhos pelas letras grandes. O Amílcar era daquelas raras pessoas que tinham um cão mais esperto que o dono mas, mesmo ele, ficou estupefacto quando leu:
A gafe de Sócrates, que deu as boas-vindas aos imigrantes que chegam a "um país
cada vez mais pobre", foi rapidamente ultrapassada pela falha de Manuel Pinho,
que prometeu empregos em postos de trabalho já ocupados. E esta passou à
história quando Mário Lino descobriu um deserto na margem sul do Tejo. Melhor,
só mesmo Almeida Santos a antever uma acção terrorista em que uma ponte é
dinamitada para impedir os turistas de chegar a LisboaUma semana de Governo
Santana Lopes com metade dos espirros verbais desta semana socialista valia uma
dúzia de pregos na cruz do "menino guerreiro"
Finalmente, e um pouco mais confuso que o usual, chegou às páginas de desporto. E, nessa altura, exclamou contente:
- Aquilo é que foi um jogo. Uma equipa tão pequena contra outra tão grande. Parecia o Adamastor contra o Golias! *
*in tasca da Costa no jogo Estrela-Porto (citação real)
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